segunda-feira, 14 de novembro de 2011

És chuva de verão

Vens sempre inexperadamente como a chuva num dia de verão e deixas-me nostalgica e melancólica. Mas a chuva sempre passa quando o Sol decide aparecer...

domingo, 13 de novembro de 2011

Comigo

No telhado, sozinha, sinto-me abaixo do chão e acima das nuvens. Aí há o espaço e o tempo necessários para refletir. Sinto-me bem, calma e serena. É bom conseguir ouvir-me pensar e passar algum tempo comigo.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Perco-me no azul da colcha
Procuro por ti nos lençóis
Só encontro o inevitável frio
Que me recorda que nunca estiveste comigo

Assim reservo as saudades mais fortes
Para chorar o que nunca tive
Mas mais triste é quem vive
Sem alguém por quem chorar...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011


Sinto falta de ser algo mais que aquilo que sou. Aspiro a isso, mas nunca alcanço.
Sinto-me presa pelo mundo material que me rodeia.

Eu não quero ser material...


Quero ser algo mais. Com mais valor. Quero ser nada. Um nada importante, rico e necessário. Alterno este querer com um outro, o de ser tudo. Um tudo inútil e que não encha.

Aspiro ao impossível.
Ponto.


















Permanecerei insatisfeita. É esse o campo ao qual pertenço.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Coincidências


Gostava de poder compreender para além do compreensível. Mas não o faço, simplesmente. Que dizer, por exemplo, das coincidências que me assombram diariamente? Muitas vezes, não passam de coincidências estúpidas, mas são sempre acontecimentos que me fazem ficar de pé atrás


Ainda assim, sinto me especial nesses momentos.


O facto das coisas se relacionarem, até mesmo quando são tão distantes, faz-me crer que tudo tem uma lógica e um significado interíseco, ainda que pareçam fruto do acaso. Tudo isso faz-me pensar que eu própria desconheço sentidos que vivem em mim e me movem discretamente.


Por outro lado (sim, porque há sempre um "outro lado"), as coincidências dão-me uma forte sensação de ser "marioneta do destino" (ou lá o que quiserem chamar a essa força que eu sei que nos rodeia).

E eu não quero ser uma marioneta, independentemente de estar ou não consciente disso...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sou hipócrita.

Apetece-me apanhar o cabelo num arranjo desarranjado. Quero fechar os olhos e pensar em nada... ou em tudo, tanto faz. Quero deitar-me de costas na cama e olhar para o tecto branco e buscar outras cores para além dessa, contá-las.
O quanto eu desejava ver-me livre dos meus óculos e de toda a roupa que tenho vestida.
Aspiro o NATURAL, mas ele não chega robusto até mim.
De facto, tudo quanto me rodeia faz-me lembrar do mundo não-natural (quase anti-natural) onde vivo.

Contudo, cuidado. Que ninguém se fie nas minhas palavras. Eu sou hipócrita e cínica, atenção. Pois afinal, o que faria eu na ausência de toda essa artificialidade? Quantas palavras de saudade eu não lhe escreveria, desejando que tudo quanto fosse natural desaparecesse?

sábado, 6 de agosto de 2011

Questões não-lineares

Ás vezes tenho o recalque de pensar no sentido da nossa existência. Não só da nossa existência como humana mas também como ser vivo. E é triste quando, inicialmente, me da a forte impressão de que vivemos para morrer ou que vivemos para dar vida a outro ser que, assim como nós, mais tarde ou mais cedo morrerá.
Mas logo depois, como uma luz numa gruta triste de negra, dou a volta à questão e vejo que, durante esta linha recta de pensamentos, há muita coisa sobre a qual passo por cima sem olhar. Esta questão não é assim tão linear como o viver-morrer.
Nós, seres vivos, somos especiais, nem que seja apenas pelo facto de podermos viver. E ainda mais especiais somos nós, os especializados seres humanos, por possuirmos a habilidade do raciocínio. Só isto já me dá uma certa alegria de viver.
Temos depois também a beleza; Não é belo ver uma ninhada de cachorrinhos com a mãe? Não é belo ver uma floresta onde há um crescente de vida? Ou até mesmo ouvir o som da água que jorra de uma cascata. A meu ver é belo. Mais belo é ainda saber que podemos percepcionar tudo isso.
Podemos nós, por outro lado, dizer que vivemos em vão se formos cidadãos activos? Penso que não. A nossa vida ganha imediato significado a partir do momento em que sentimos que somos importantes para alguém. Nós temos o poder de transformar o mundo onde vivemos, nem que façamos uma mera tentativa ela própria tem em si o poder de um significado, ainda que só nós possamos ver isso.
Por isto e muito mais abandono logo após alguns, poucos, segundos a minha inicial teoria do "viver para morrer".